Diego Miranda: O Primeiro Português no Palco Principal do Tomorrowland

Diego Miranda Entrevista

Diego Miranda: O Primeiro Português no Palco Principal do Tomorrowland

Há muitos anos que Portugal tem DJs de vários estilos naquele que é considerado o maior festival do mundo de electrónica, mas tivemos que esperar até 2020 para ver um Português no palco principal. A 19 de Julho de 2020, Diego Miranda, embaixador ProDJ, pisará o palco principal do Tomorrowland. Falámos com ele para saber como está a viver este momento de glória, não só na sua carreira, mas para Portugal enquanto expoente máximo dos DJs nacionais.

 

Estamos num momento ímpar na história, com uma pandemia. Como é que estás a viver o teu isolamento?

Estou triste e apreensivo, ou seja, estou preocupado com as pessoas mais velhas que são as mais susceptíveis. Enquanto isto se passa estou a tentar tirar proveito do isolamento por poder passar mais tempo em casa e no estúdio. Estou a trabalhar, a fazer mais música e a preparar algumas surpresas online! Fiquem atentos às minhas redes sociais. 

 

Tens uma presença constante no alinhamento do Tomorrowland. Em 2020 terás a tua quinta actuação consecutiva mas este ano muda tudo com a estreia no palco principal no Domingo, 19 de Julho, ao lado de nomes como Martin Garrix, Nicky Romero ou Tiësto. Estás a sentir a pressão?

Estou! Penso que qualquer artista a sente quando se imagina perante milhares de pessoas num palco como o do Tomorrowland. Esta actuação é a realização de um grande sonho, actuar no palco principal do maior festival de electrónica do mundo, é um marco na minha carreira. Ter o privilégio de ser o primeiro Português a fazê-lo é uma honra e uma pressão gigante. Tudo farei para deixar Portugal e os Portugueses orgulhosos. Não esqueçam de ver a transmissão em directo no YouTube do Tomorrowland, conto com o apoio de todos!

 

Pensas que este é um momento pivotal da tua carreira, que após uma actuação no palco principal do Tomorrowland muda tudo?

Certamente que tenho que reconhecer que sim. Actuar no Tomorrowland é sempre positivo, mas actuar no palco principal e ser transmitido em live streaming para o mundo todo é uma exposição ímpar. Acredito que este seja um momento de viragem, tal como outros que tive ao longo da minha carreira. Nestes momentos há saltos enormes na notoriedade e, mesmo sabendo que sou dos artistas portugueses com maior grau de internacionalização, creio que isto irá ainda aumentar mais a minha agenda internacional. 

Na ultima década tenho tocado um pouco por todo o mundo, desde o Brasil à Mongólia. Já tive vários temas que foram êxitos, estou no ranking dos Top100 DJs do mundo pelo sétimo ano consecutivo. Tenho tido oportunidade de tocar nos melhores clubs mundiais, desde o Green Valley no Brazil, ao Ushuaia Ibiza,  até ao Octagon Seul, bem como nos maiores eventos do mundo como o Ultra Miami; Ultra Brasil no MainStage; Sunburn Festival na Índia; ou nas sete edições Rock in Rio Portugal e no Brasil, por exemplo, bem como o Tomorrowland em palcos secundários e, agora, no palco principal.  Para quem vê de fora, a minha carreira tem estado sempre em ascensão mas, para mim, é o culminar de muitos anos de trabalho árduo. Penso que é merecido. 

 

Como é que está a ser a preparação?

Já me estou a preparar mentalmente. Musicalmente, e por norma, nunca levo nada pré-definido, ou seja toco o que sinto no momento e vou com o flow do público. A arte de um DJ inclui saber “ler” o público,  consequentemente perceber o que os faz mexer e o que mexe com eles. No entanto, tratando-se do Tomorrowland confesso que já estou a produzir novos temas para poder tocar em exclusivo. Quero mostrar mais o meu trabalho enquanto produtor musical e os temas originais que produzo. Vai ser o set mais importante da minha vida e, por isso, vou dar o meu melhor.

 

O Tomorrowland é um dos maiores festivais de música electrónica do mundo. É o teu preferido?

É o mais especial. Apesar de tocar regularmente em grandes eventos com produções massivas, especialmente na Ásia, o Tomorrowland, para além de ser maior em tudo, acima de tudo é na Europa e esse facto permite que muitos portugueses se desloquem até lá trazendo uma sensação familiar à maior arena de um festival.  Por tudo isto é indiscritível tocar naquele evento e ter o “nosso” público, sinto-me verdadeiramente em casa. Para além disso, também permite conhecer o trabalho dos maiores artistas da electrónica, estar com os DJs de quem já sou amigo, conhecer novos DJs e trocar ideias com eles. O facto de ser um grande desafio e acarretar uma maior responsabilidade, também faz dele o meu festival preferido.

 

O que é que se segue? Depois de uma conquista desta dimensão, qual é o próximo objetivo a ser atingido?

O meu objectivo é sempre conseguir crescer como pessoa, como produtor e como artista, esta oportunidade de tocar no palco principal do Tomorrowland é apenas mais um passo na conquista do sonho. As pessoas apenas vêem a actuação em palco e ouvem a música que faço mas por detrás disso há muito, mesmo muito, trabalho. Posso afirmar que trabalho há mais de 10 anos, sete dias por semana, ou seja é uma opção que me realiza completamente.

Mas estaria a mentir se não dissesse que, acima de tudo, procuro ainda o meu hit mundial. É isso que todos os produtores procuram, uma música que lhes dê o pleno em todo o globo e não apenas em alguns países.

 

O que dirias a um aluno da ProDJ que sonha um dia atuar no Tomorrowland?

Para nunca desistir, para trabalhar no duro. O trabalho e a resiliência são factores determinantes para o sucesso de qualquer carreira, em qualquer área. Um aluno da ProDJ já deu o primeiro grande passo: escolheu a melhor escola de Portugal, a partir daqui é insistir, persistir e saber que é preciso construir um caminho passo a passo. Sejam originais, sejam diferentes e trabalhem muito. 

Diego Miranda sobe ao palco principal do Tomorrowland no Domingo, 19 de Julho. A actuação será transmitida em live streaming no canal de YouTube do festival, apelamos a que todos os Portugueses vejam, comentem e apoiem o Ronaldo da música electrónica! 

About the Author /

sonia.silvestre@gmail.com

Editora, de 2000 a 2011, da revista Dance Club. Durante mais de uma década escreveu e entrevistou muitos DJs e produtores de todos os géneros musicais, de Carl Cox, Erick Morillo, Todd Terry, David Guetta, a Dubfire, entre muitos outros. Escreveu para outras revistas e publicações, como a inglesa Musik. Em 2008 foi convidada para moderar o único painel sobre a cena electrónica portuguesa no Amsterdam Dance Event, o Focus On Portugal. Integrou a WDB Management, onde exerceu como Brand Manager até ao final de 2018. Durante este tempo participou na gestão de carreiras dos artistas no que toca à comunicação, promoção, gestão de patrocínios e a relação com as editoras. Fez parte da equipa em eventos como: a One Last Tour dos Swedish House Mafia em Lisboa; as duas datas do I Am Hardwell em Lisboa; o Mega Hits Kings Fest; e o RFM Somnii, de 2012 a 2018, entre outros. Em 2019 começou a trabalhar directamente com os artistas e é Manager dos No Maka.